DESGOVERNADO
de Marcelo Lopes Vieira
de Marcelo Lopes Vieira
(todo o conteudo desse blog está registrado no Ministério da Cultura - Brasil)
Rio de Janeiro, Copacabana, Janeiro, Quinta-feira, 17h30minh. Avenida Santa Clara, No. 46, 11o andar. Fim de experiente. Após mais uma tentativa frustrada de venda, MURILO observa, pela janela do hall do elevador, as pessoas passando com roupas de banho enquanto o elevador chega, cheio de gente, ao seu andar.
Cansado após um dia de trabalho duro, o jovem trabalhador se dirige ao ponto que se localiza na beira da praia, observa a bagunça do trânsito, afrouxa a gola do seu terno enquanto crianças de vestidas com trajes de banho cruzam seu caminho brincando. Murilo resmunga comentários de frustração e insatisfação... coisas como: "Onde eu fui amarrar meu burro?"; "Não dá pra viver decentemente assim, eu preciso sumir daqui". Cansado e enrolado com sua pasta, Murilo mexe no bolso e pega uma nota de cinco reais amassada enquanto se junta a um grupo de pessoas que dividem um pequeno espaço de sombra no ponto de ônibus. Seu rosto exprime um misto de tristeza e ódio daquela situação sofrida. Fazem quase 40 graus naquele fim de tarde de verão. O bairro está alegre, cheio de turistas e banhistas em geral, indo e vindo da praia, mas Murilo mantém-se num silêncio fúnebre, secando o suor de sua testa com a nota de cinco reais, observando as pessoas enquanto espera sua condução. Nesse momento, surgem imagens em primeira pessoa de uma estrada à noite e do interior de uma ambulância surgem como pequenos flashs, rapidamente. Em eco, a voz distante de uma mulher diz: "Calma... está tudo bem, agora".
No ponto de ônibus, Murilo observa Leco, um rapaz humilde que anda de um lado para o outro como se estivesse nervoso com alguma coisa e retira um telefone do bolso de sua calça jeans. Leco percebe que ele o observa e Murilo desvia o olhar. Repentinamente, uma van para com todos os lugares vagos. Hércules, o trocador da van, anuncia aos berros e insistentemente, os lugares por onde passará. O destino: Taquara, passando pela Barra, Riocentro, Cidade de Deus e Freguesia.
Murilo entra na van seguido por Leco, aos tropeços, compenetrado, falando discretamente ao telefone. Um pouco mais a frente, entra Seu Zé, cumprimentando a todos e elogiando a qualidade da van. Marcão, o motorista, agradece e começa a fazer comentários sobre o seu negócio, como é difícil oferecer um serviço de qualidade nos dias de hoje com tanta gente lutando desonestamente por uma fatia desse mercado. Hércules tenta desconversar mostrando a qualidade do som e da decoração da van, que possui luz negra e um estofado especialmente escolhido por ele. O clima na van é de descontração, mas Leco continua compenetrado e silencioso.
Mais a frente, entra Dani embarca na van, chamando a atenção de todos os homens. Dani está acompanhada de uma criança, Pedrinho, que logo percebe que todos os homens na van estão olhando para eles. Seu Zé, empolgadamente, se levanta, dando passagem para Dani e Pedrinho se sentarem. Pedrinho se senta entre Dani e Seu Zé, que não tira os olhos das pernas dela e ainda tenta puxar conversa. Pedrinho, enciumado, pede a dani um saco de pipocas e ao abrí-lo, derruba algumas pipocas sujando a roupa de Seu Zé, que tenta controlar o quanto ficou irritado com o ato do garoto. Dani pede desculpas ao motorista pelo ocorrido e, gentilmente, Marcão responde que está tudo bem. Mas Hércules, com mal-humor, interfere dizendo que quem terá o trabalho de limpar essa sujeira será ele e não o Marcão.
Mais à frente, já na Avenida Niemeyer, o transito está lento e o calor é tão forte que nem o ar condicionado parece fazer efeito. Ao passar pela saída do morro do Vidigal, Maria faz sinal para a van, mas ao parar e abrir a porta, com uma expressão de surpresa e desprezo demora a embarcar dizendo q não quer entrar numa van com uma musica tão alta e pecaminosa. Marcão, educadamente, pede desculpas e abaixa o som. Maria entra e se senta ao fundo da van sob reclamações de Seu Zé de que sua demora fez o ar condicionado se dissipar.
Hércules se sente afrontado e começa a bufar, mas mantém-se em silencio. Seu Zé toma as dores de Hércules perguntando o que há de mal na música alegre dos jovens de hoje em dia. Maria diz que esse tipo de música é um dos tentáculos do diabo sobre as cabeças perdidas dos jovens levando-os para um caminho pecado, crimes, distantes de Jesus. Hércules não consegue se conter, virando-se com ódio para o fundo da van e diz que, como um jovem que é, dispensa esse tipo de preocupação e que se sente muito bem na situação que está.
Leco tenta ignorar a crescente discussão dentro do automóvel. Murilo e Marcão pedem calma aos passageiros. Seu Zé, com ar sarcástico, comenta que esses comentários são resultados do grande recalque que "essa jovem senhora" tem com o fato de não ser tão bela como a moça ao seu lado. Dani sorri e agradece, Pedrinho franzi a sobrancelha, irritado com o suposto clima entre os dois.
Maria diz que sente pena de pessoas assim e espera que Deus tenha piedade destas almas, principalmente de mulheres que se vestem como prostitutas. Dani se ofende com o comentário e se mete na discussão perguntando se isso é alguma espécie de indireta. Maria diz: "Se a arapuca serviu... num sou eu que tenho que me olhar no espelho..." Seu Zé retruca: “Eis o problema: a relação de ódio entre a senhora e o espelho.".
O clima entre os passageiros vai ficando cada vez mais pesado, Leco esforça-se para não se abalar com a discussão entre os passageiros fechando os olhos e tapando os ouvidos. Murilo e Marcão tentam apaziguar os ânimos em vão. Seu Zé comenta que a cidade está cada vez mais mal freqüentada com favelados como Maria por toda a parte, tentando interferir no modo de vida das outras pessoas. Hércules pergunta por que ela num desce e tenta pegar outra condução e ela diz q faz questão de falar a verdade de deus para aqueles que precisam ouvir e que o mundo precisa se livrar do câncer da prostituição, da homossexualidade e das drogas. Hércules não acredita no que está ouvindo e começa a trocar ofensas com Maria, ignorando os pedidos de Marcão.
Seu Zé comenta que de tudo isso só os homossexuais devem morrer. Hércules se ofende ainda mais dizendo não acreditar no que "esse velho gagá" está dizendo. Marcão lamenta a discussão e comenta com Murilo que essa cidade não tem mais jeito, desde que milhares pessoas de outros estados inflaram a cidade com favelas por todos os lados. Murilo se ofende e diz que não é bem por aí, pois ele vem do Goiás, não mora numa favela e é empregado. Marcão retruca dizendo: "E eis a minha situação: Nascido aqui e economizando o almoço pra pagar a janta. Eu tenho que me virar como posso porque um emprego que preste é coisa rara nessa cidade." Dani ataca Maria dizendo que o câncer do Brasil são esses "evangélicos do inferno". Maria grita: O inferno são vocês!
Nesse momento, a van já está passando em frente à rocinha. Todos estão a falar ao mesmo tempo, num clima generalizado de discordância até o momento em que Leco, que se manteve fora da discussão o tempo todo, grita bem alto: CHEEEGAAA!!!
Todos se calam, atônitos... Leco se levanta e, completamente transtornado, diz: "Vocês acham que a vida é um inferno?! Culpam uns aos outros sem fazer as suas partes!! Vocês querem ver o que é o inferno?! Então o inferno começa aqui, agora!" Leco saca uma arma da calça e declara em voz alta: Isso é um assalto!
Hércules dá um grito afeminado enquanto Leco aponta a arma para a cabeça de Marcão e ordena que eles subam uma ladeira que vai para a floresta da tijuca. Todos estão em clima de pavor. Murilo, que está no banco ao lado pede calma a todos, especialmente a Leco e diz que todos darão a ele todo o dinheiro que têm. Leco diz que o dinheiro não basta. Ele quer levar a van, dinheiro, relógios, celulares, bolsa, tudo.
Seu Zé começa a passar mal, Dani tenta ajudá-lo abanando-o. Pedrinho começa a chorar de medo. Maria, chorosa, começa a rezar, e pedir perdão a deus. Hercules está paralisado no banco da frente, com uma expressão aterrorizada. Murilo tenta manter a calma e se concentra em pedir que ele não faça nenhuma besteira, que não atire em Marcão e acabe com sua vida. Leco diz, gritando: Vida?! Que vida?! Vocês acham que é fácil ser visto como favelado, um provável bandido? Eu sou a escória que vocês querem varrer da cidade! O menino mal vestido chamado de macaco por qualquer playboyzinho branco que passa! Pensa que eu num sei que nesse ponto você e esse motorista não concordam?! Vai todo mundo de ferrar agora! Quem manda nessa droga agora sou eu! Todo mundo calado!
Todos se calam, amedrontados, mas Pedrinho não consegue parar de chorar. Leco diz que vai matar quem der um único pio. Dani, desesperada, tapa a boca de Pedrinho a força. Hércules também está chorando baixinho e com o corpo todo trêmulo coloca as mãos no porta luva. Leco percebe sua ação, aponta a arma em sua direção, pergunta se ele quer morrer agora e dá um tiro que atravessa a janela sem acertá-lo. Todos se assustam. Hércules dá um grito de terror. Imediatamente, Marcão se desespera ao ver a arma apontada para Hércules e implora para que não o mate e o chama de meu amor. Hércules se abraça com Marcão e Seu Zé, já recuperado do susto, não se segura e comenta: "Nossa mãe do céu, quem diria... o gordão é um maricas também...".
Leco avisa aos passageiros que quem quiser sobreviver deverá deixar todas as suas coisas na van e soltar no ponto mais alto da estrada. Nesse momento, Marcão, no meio da estrada escura, sem querer passa, em alta velocidade por cima de uma grande pedra de deslizamento que estava no meio da estrada. Leco se desequilibra tirando a arma da mira dos passageiros. E, rapidamente, Murilo aproveita para tentar imobilizá-lo e os dois começam uma briga dento do automóvel levando os dois ao chão. De repente ouvem-se dois tiros. Um acerta a perna de Murilo e o outro acerta a barriga de Leco.
A cena corta para um quarto de um hospital público no centro da cidade. Simone está sentada próximo à cama e ouve, apreensiva, o que diz o paciente. Simone diz que precisa do máximo de informações possíveis para poder usar nas investigações. Dr. Armando entra no quarto dizendo que eles devem ser cautelosos com a saúde do paciente e diz ao paciente que se ele quiser parar e deixar pra depois, ele pode parar. O paciente, oculto, diz que está tudo bem e ainda pode continuar a falar...
Voltando à cena anterior, Marcão freia a van e pula do carro, sob os gritos de Maria e Dani. Todos, atônitos percebem que o assaltante fora baleado correm para ajudar Murilo a se levantar. Aliviados, todos agradecem a bravura de Murilo. Desorientados, os passageiros começam a se perguntar o que fazer. Murilo consegue se recompor apesar do ferimento e ordena que alguém chame uma ambulância e a polícia. Seu Zé pede para que esperem e sugere que eles deixem o corpo de Leco no local e corram para um hospital para Murilo que está perdendo sangue. Todos, apesar de algumas vacilações acabam concordando com a sugestão de Seu Zé. Dani diz que bandido tem mesmo que morrer e todos concordam. Maria começa a chorar desesperadamente mas concorda também. Marcão diz que prefere evitar o escândalo, já que todos estão vivos, apesar do ferimento de Murilo e que eles podem inventar uma história no hospital. Seu Zé pede ajuda a Marcão e Hércules para puxar o corpo para fora do veículo e, no momento em que o corpo é puxado para a beira da estrada, um celular cai no chão. Seu Zé lembra-se que até um determinado momento, Leco não parava de falar suspeitosamente ao celular. Dani pega o celular e começa a mexer nele, a procura de mensagens ou alguma informação ao seu respeito. Não há mensagens, nem números salvos, somente um numero na memória de números ligados. Murilo pede que deixem logo ele na estrada e levem-no para um hospital. Seu Zé pega o telefone das mãos de Dani e chama o numero em que ele estava falando. Nesse momento ouve-se um toque de celular dentro da van. Ninguém sabe de que celular exatamente vem esse toque, mas todos percebem que um dos passageiros presentes conhecia Leco. Quando de repente ouve-se mais um tiro e um grito irado: Fudeu! Todo mundo pro chão agora! Era Maria, completamente transtornada com o assassinato de Leco, seu namorado. Todos se deitam no chão enquanto, Maria, revoltada, diz que eles já tinham o plano de assaltar a van de Marcão e avisa que o assalto continua. Seu Zé, confuso, pergunta o que vai acontecer agora. Maria ordena que todos entrem lentamente na van. E deixem o corpo do seu namorado para trás, chamando-o de idiota e ladrão amador.
Marcão liga a van e segue em frente até chegar ao alto da ladeira até uma descida íngreme. Maria desorientada avisa que todos ficarão no local onde eles tinham planejado e levará alguém de refém, escolhendo Marcão para a tarefa. Hercules começa a chorar compulsivamente. Maria está apontando para Seu Zé e Murilo está jogado no fundo do carro quando o carro faz uma curva brusca. Maria vira=se apontando a arma para Marcão e pergunta gritando o que ele está fazendo. Marcão diz q está pisando nos freios sem obter resposta. Maria não acredita e aponta a arma para a cabeça de Hércules dizendo que se ele não reduzir a velocidade, ela estourará os miolos de Hércules que implora por misericórdia. O clima de desespero se generaliza na van que aumenta gradualmente a sua velocidade. Maria avisa que mais uma curva brusca e Hércules morre. Marcão diz que os freios devem ter se rompido com o tiro. Dani diz que talvez tenha sido o incidente com a pedra que passara por baixo do carro. Hercules e Marcão continuam a implorar para que Maria acredite em suas palavras, chamando-a de Dona Maria.
Mais uma curva brusca e Maria atira na cabeça de Hércules. Marcão dá um berro de terror e Hércules cai em seus pés. Maria diz que avisou que isso iria acontecer e grita enlouquecidamente no ouvido de Marcão que ele vai morrer também. Marcão, chorando, desiste de argumentar, falando palavras de ódio para Maria e deixa o carro sair da estrada entrando na floresta. A van capota ribanceira abaixo com todos dentro. Quase todos morrem no acidente.
A cena corta novamente para o hospital, 12 horas à frente. O paciente oculto é revelado: É Murilo que, ao pensar no acontecido, sente-se tonto e desmaia. Dr. Armando ordena que parem de interrogá-lo em nome de sua saúde. Simone se contenta com o informado por Murilo, se desculpa com o médico e diz que voltará ao local do acidente para acompanhar as investigações de perto.
Saindo da sala, o médico diz a Simone que está preocupado com o outro sobrevivente, que ainda está dormindo. Simone, se dirigindo, apressadamente ao carro, pede que ele a avise imediatamente caso haja algum progresso com o outro paciente, pois ela sente que há algo de errado nessa história. Dr. Armando leva Simone até o estacionamento e voltando, rapidamente é chamado de volta ao ambulatório pois a outra vitima acabou de acordar. O paciente observa Dr. Armando entrar na sala com um sorriso no rosto dizendo que está feliz que ele esteja bem. Dr. Armando sai da sala, liga para Simone e avisa que o paciente acordou e está bem. Simone pede para que ele tente obter informações com o paciente e deixe-o falar, caso consiga.
Dr. Armando volta e pede ao paciente que conte o que aconteceu...
A cena corta de volta à van, no momento em que Leco anuncia o assalto: CHEEEGAAA!!! Pedrinho e Dani que estavam virados para Maria se assustam. Leco diz: “Vocês acham que a vida é um inferno?! Culpam uns aos outros sem fazer as suas partes!! Vocês querem ver o que é o inferno?! Então o inferno começa aqui, agora!". Leco saca uma arma da calça e declara em voz alta: Isso é um assalto!
Dani segura o grito e agarra-se a Pedrinho enquanto Leco aponta a arma para a cabeça de Marcão e ordena que eles subam uma ladeira que vai para a floresta da tijuca.
Tudo se repete de forma ainda mais assustadora. Seu Zé começa a passar mal e desmaia, Dani tenta ajudá-lo abanando-o e jogando água em seu rosto. Pedrinho tenta se esconder em baixo do banco. Maria, desesperada, começa a rezar em voz alta, e pedir perdão a deus, com uma voz assustadoramente lamuriosa. Hércules não consegue conter seu terror e a cada palavra que Leco fala, ele solta um pequeno grito. Murilo, tenta manter a calma e se concentra em pedir que ele não faça nenhuma besteira, que não atire em Marcão e acabe com sua própria vida. Leco diz, gritando: Vida?! Que vida?! Vocês acham que é fácil ser visto como favelado, bandido? Eu sou a escória que vocês querem varrer da cidade! Eu sou o menino mal vestido chamado de macaco por qualquer playboyzinho branco que passa! Pensa que eu num sei que nesse ponto você e esse motorista concordam entre si?! Vai todo mundo de ferrar agora! Quem manda nessa droga agora sou eu! Todo mundo calado!!
Todos se calam, amedrontados, mas Pedrinho continua a tentar se esconder em baixo do banco. Leco, olhando para Pedrinho, diz que vai matar quem se mover. Dani, desesperada, agarra Pedrinho a forca. Hércules não consegue se conter e com o corpo todo trêmulo coloca as mãos no porta luva. Leco percebe sua ação, aponta a arma em sua direção, pergunta se ele quer morrer agora e dá um tiro que atravessa a janela sem acertá-lo. Todos se assustam e Pedrinho vai pra baixo do banco novamente.
Já na estrada das paineiras, à noite, Pedrinho continua em baixo do banco Dani, em voz baixa fala pra ele não se mexer quando a van dá um forte solavanco causado pela pedra. Leco se desequilibra e deixa a arma cair em frente do rosto de Pedrinho. Murilo e Leco começam uma disputa pela arma que está no chão. Murilo e Leco caem no chão da van e Pedrinho acerta um soco em Leco, dando vantagem a Murilo. Dani puxa Pedrinho para longe da briga. De repente, ouve-se dois tiros. Um acerta Murilo e o outro acerta Leco.
Já com o carro parado, Murilo está perdendo as forças e todos decidem largar o corpo de Leco na estrada. Ao puxar o corpo do automóvel para a beira da estrada, o celular de Leco cai no chão. Dani resolve ficar com o celular do bandido, citando: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.” - e liga para o ultimo número para verificar se tem crédito. Nesse momento, ouve-se um celular tocando. Todos concluem ao mesmo tempo que Leco conhecia alguém que estava na van. Seu Zé pega a arma e diz: É mesmo uma pena que beleza e inteligência não combinem... Seu Zé dá dois tiros para o alto e grita: “Danou-se! Todo mundo pra dentro do besta que o assalto continua!
Hércules finge que desmaia e é carregado para dentro do carro por Marcão dizendo que não quer entrar nesse carro pois, tem um mau pressentimento. Seu Zé, meio trêmulo, aponta a arma para Marcão e Hercules e avisa que a morte de Leco não vai ser em vão e que o plano será levado até o fim.
A cena corta novamente para o hospital. Dr. Armando interrompe perguntando estupefato: “Peraí! É isso mesmo? Tem certeza? Tem alguma coisa de errado nisso aí! Filho, por favor, me conte a verdade.”.
O paciente começa a choramingar. É Pedrinho e começa a pedir para ver sua mãe. Dr. Armando chama uma enfermeira e pede para que ela acalme a criança. Dr. Armando sai da sala e corre para o telefone para ligar para Simone. Ele tenta varias vezes mas não consegue. O celular parece estar fora da área de cobertura.
Voltando à sala, o médico percebe que a criança está conseguindo andar sem problemas e ele pede que a enfermeira a leve para dar uma volta no hospital. Dr. Armando se dirige ao quarto de Murilo, tenta acordá-lo para dar-lhe uns remédios e diz que ele teve muita sorte no acidente e que em breve ele estará bem de novo. Nesse momento, Pedrinho aparece na porta do quarto e, ao vê-lo, não se contém quando vê Murilo e corre em sua direção. Ao abraçá-lo, Pedrinho, choroso, o chama de papai na frente do médico. Dr. Armando, desconfiado, pergunta: “Essa criança é seu filho?”. Murilo está atônito...não diz que sim, nem não e fecha os olhos fingindo sentir muita dor. Dr. Armando pede que Pedrinho volte para o seu quarto pois o papai precisa descansar. Murilo não responde ninguém.
Dr. Armando, ansioso, sai da sala e volta para o telefone para tentar falar com Simone sobre o ocorrido. Enquanto isso, Simone está circulando pela estrada à procura de provas e acha um telefone no chão. Nesse momento, Murilo abre os olhos e, sentindo muitas dores, se levanta dizendo baixinho: “É agora...”.
Inserido nessa seqüência, surgem cenas do que realmente aconteceu na van.
Enquanto todos discutem na van, Murilo, com um olhar enlouquecido, grita com toda a força da sua voz: CHEEGAA! Que gritaria é essa?! Vocês ficam aí discutindo miúdos, culpando uns aos outros, mas agora eu quero ver!! Isso é um assalto!! Todo mundo calado! Todos estão nervosos. Somente Leco e Marcão pedem calma a Murilo. - No hospital, Murilo, com dificuldade, se veste com uma roupa hospitalar e pega um lençol. – Na van, Leco pede para que Murilo não mate Marcão e acabe com sua vida. Murilo diz: “Vida? Que vida?! Que merda de vida é essa?! Não há vida nessa cidade pra uma pessoa normal!! As pessoas tentam o tempo todo passar por cima umas das outras, obter vantagem, corromper!! Mas agora chega!! Vocês acabaram de me provar que não tem jeito e eu vou levar a minha parte nessa bagunça!!”
- No hospital, astuciosamente, Murilo consegue sair do quarto, passar pelo corredor cheio de pacientes moribundos e chegar, sem que ninguém percebesse, ao quarto de Pedrinho, que está deitado. – Na van, Murilo cai no momento em que a van passa por cima da pedra e Leco reage, mas na briga, Murilo toma um tiro na perna e Leco toma um tiro fatal na barriga. Seu Zé puxa a arma com o pé, Marcão freia o carro e Murilo se rende, sendo imobilizado por Marcão e Hércules. Todos saem da van e por medo de se envolverem num escândalo policial decidem juntos largar Leco e Murilo na estrada. Hércules, revoltado com o acontecido, resolve roubar Murilo, pegando seu celular e sua carteira. Quando vê o belo celular que ele tinha, decide fazer uma ligação pra ver se tem crédito. Todos se assustam com o toque do celular dentro do carro. Dani pega a arma no chão da van, dá dois tiros para o alto e grita: FUDEU!! TODO MUNDO PARA O CHÃO!!
No hospital, Murilo acorda Pedrinho e faz sinal de silêncio. Pedrinho o abraça com felicidade – um flashback mostra Pedrinho, Dani e Murilo brincando de atirar em latinhas no quintal de casa. Pedrinho diz que quer ser igual o seu pai quando crescer e Murilo diz: “Se você for um garoto obediente, eu te levo em minha próxima missão. Quem sabe vocês dois não podem ser úteis?”.
No hospital O Murilo envolve Pedrinho num lençol até a cabeça e o leva pela mão disfarçadamente. Todos os médicos e enfermeiros estão ocupados com outros afazeres. Dr. Armando finalmente consegue falar ao celular com Simone, que já está no carro de volta para o hospital. Aflito, Dr. Armando diz a Simone que Murilo é pai de Pedrinho e antes que ele terminasse toda a história, Simone diz para ficarem de olho nos pacientes pois eles são suspeitos. A essa altura, Murilo e Pedrinho já estão num canto do pátio do hospital tentando achar uma forma de sair sem ser notado. Dr. Armando volta ao quarto de Murilo e percebe que ele não está mais lá. Em seguida uma enfermeira chega correndo ao quarto avisando que Pedrinho sumiu. Muito nervoso, Armando liga novamente para Simone e avisa que eles fugiram. Enquanto isso, Murilo resolve entrar em um táxi com Pedrinho e pede ao taxista que os levem para a Avenida Presidente Vargas. O taxista, muito simpático, pergunta como foi o dia. Murilo percebe que as viaturas em torno do hospital estão sendo avisadas de que existem dois fugitivos na vizinhança e, abaixando a cabeça de Pedrinho em seu colo, disfarçadamente, responde que o dia foi muito duro e que a vida nessa cidade está muito difícil. O taxista percebe pelo seu sotaque que ele não é do Rio de Janeiro e comenta que é mesmo difícil fazer um pé de meia.
Barulhos de sirene são ouvidos ao fundo e Simone cruza o carro sem ver Murilo. Virando o quarteirão, Murilo simpaticamente apela ao taxista inventando que acha que teve sua carteira furtada e está sem dinheiro. O taxista, de bom humor, diz que dessa vez ele poderá experimentar da boa hospitalidade carioca e que não cobrará a corrida até a Central. Murilo agradece a gentileza e o taxista oferece três reais para eles pegarem um ônibus citando o jargão: “Gentileza gera Gentileza, meu filho. Pense nisso.” Murilo e Pedrinho agradecem mais uma vez e correm em direção ao ônibus. Enquanto isso, os policiais estão correndo por todas as ruas do centro atrás de alguém suspeito.
São 18h30minh, Central do Brasil. Murilo entra no ônibus com Pedrinho. Murilo resmunga os mesmos comentários de frustração e insatisfação: "Onde eu fui amarrar meu burro?"; "Não dá pra viver decentemente assim, eu preciso sumir daqui".
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